Há muitos anos eu gosto de ouvir, acolher, compreender a dor
humana. E agora me encontro no último ano da faculdade de Psicologia, com 47
anos!
Não tem sido fácil... às vezes o corpo da uma baqueada.
Entre jornadas duplas e até mesmo triplas, com trabalho, faculdade, estágio,
pós graduação e vida pessoal seguindo, às vezes me encontro cansada com essa
correria entre Santos e São Paulo, e precisei aprender a escutar os meus
próprios limites. Em alguns dias, me percebi à beira do esgotamento. Em outros,
mais forte do que jamais imaginei.
Na Psicologia Analítica, Jung nos fala do processo de
individuação como esse mergulho na escuridão interna — onde confrontamos nossos
complexos, dores e fantasmas. E eu, em cada cansaço, em cada incerteza sobre o
futuro, me vi nesse processo: desmontando o que eu era para me tornar o que
sou.
Teve sombra, sim. E não pouca. Teve dúvida, raiva, medo,
solidão — aquela que às vezes aparece mesmo cercada de gente, e mesmo tendo ao
lado um marido amoroso e presente, que sempre me apoiou. Mas também teve chama.
A chama que resiste quando o vento da vida parece apagar tudo. Aquela centelha
interna que nos guia pelos corredores escuros
Mas estou feliz demais... Me tornando inteira, mesmo que às
vezes me sinta em pedaços.
Hoje, mais do que a alegria de estar indo pro último
semestre da faculdade, celebro um renascimento. A mulher que atravessou essa
jornada não é a mesma que começou. E tudo o que vivi será matéria viva na
escuta que oferecerei ao mundo. Porque é preciso ter atravessado a própria
noite escura da alma para acolher, de verdade, a dor do outro — com presença,
sem pressa e com compaixão.
*imagem unsplash



