domingo, 8 de junho de 2025

Quando a Alma Escuta os Próprios Passos

 


Há muitos anos eu gosto de ouvir, acolher, compreender a dor humana. E agora me encontro no último ano da faculdade de Psicologia, com 47 anos!

Não tem sido fácil... às vezes o corpo da uma baqueada. Entre jornadas duplas e até mesmo triplas, com trabalho, faculdade, estágio, pós graduação e vida pessoal seguindo, às vezes me encontro cansada com essa correria entre Santos e São Paulo, e precisei aprender a escutar os meus próprios limites. Em alguns dias, me percebi à beira do esgotamento. Em outros, mais forte do que jamais imaginei.

Na Psicologia Analítica, Jung nos fala do processo de individuação como esse mergulho na escuridão interna — onde confrontamos nossos complexos, dores e fantasmas. E eu, em cada cansaço, em cada incerteza sobre o futuro, me vi nesse processo: desmontando o que eu era para me tornar o que sou.

Teve sombra, sim. E não pouca. Teve dúvida, raiva, medo, solidão — aquela que às vezes aparece mesmo cercada de gente, e mesmo tendo ao lado um marido amoroso e presente, que sempre me apoiou. Mas também teve chama. A chama que resiste quando o vento da vida parece apagar tudo. Aquela centelha interna que nos guia pelos corredores escuros

Mas estou feliz demais... Me tornando inteira, mesmo que às vezes me sinta em pedaços.

Hoje, mais do que a alegria de estar indo pro último semestre da faculdade, celebro um renascimento. A mulher que atravessou essa jornada não é a mesma que começou. E tudo o que vivi será matéria viva na escuta que oferecerei ao mundo. Porque é preciso ter atravessado a própria noite escura da alma para acolher, de verdade, a dor do outro — com presença, sem pressa e com compaixão.



*imagem unsplash

Quando a Alma Escuta os Próprios Passos

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